SANTA TEREZINHA: O MORRO DE UMA CIDADE
O trabalho “Santa Terezinha: o morro de uma cidade” é fruto de sete anos – 2001 a 2008 – de pesquisa no morro da cidade de Fortaleza, onde se localiza o conjunto Santa Terezinha. Conquistou o prêmio Editais das Artes da Funcet 2006 (Fundação de Cultura, Esporte e Turismo) e o Prêmio Chico Albuquerque de Fotografia 2007, do Edital de Incentivo às Artes da Secult (Secretaria da Cultura do Estado do Ceará). As duas premiações resultaram na publicação de livro.
“Santa Terezinha: o Morro de uma cidade” é uma pesquisa fotográfica que foi realizada ao longo de sete anos e teve como resultado um ensaio fotográfico documental sobre o cotidiano vivido no Morro de Santa Terezinha pelos seus personagens e contextos (famílias, pescadores, estudantes, religiosos, projetos sociais, idosos, feiras, brincadeiras de rua, tráfico, etc).
Fazem parte da subdivisão do Morro, suas pequenas localidades (seu entorno – Mucuripe, Castelo Encantado, Buraco, Mirante, Marrocos, Conjunto Joana D´arc etc).
O intuito desse trabalho foi um registro através do ensaio documental da vida e do cotidiano do local e ter como resultado uma publicação desta pesquisa ensaística por meio da edição de livro e exposições.
A pesquisa pretende mostrar a diversidade do Morro e deixar documentado através da fotografia as transformações culturais por qual o local veio passando, abordando os espaços de convivência dos mais variados personagens.
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Encravado no tradicional bairro do Mucuripe, na região leste de Fortaleza, o Morro de Santa Terezinha começou a ser urbanizado na década de 80, como um dos projetos do Proafa – Programa de Desfavelamento de Fortaleza, executado no governo Virgílio Távora. Antes disso, o Morro era desabitado e frequentado apenas por alguns meninos que moravam na parte baixa (hoje Beira-Mar, onde viviam famílias de pescadores e o meretrizes) e visitavam o local para colher frutos e tanger animais de criação. A urbanização do Morro foi conseguida a partir da resistência dos pescadores. Com a valorização imobiliária da região à beira-mar, os antigos habitantes do local começaram a ser ameaçados de perder suas casas. Na época, os pescadores se organizaram com o apoio do Padre José Nilson, um dos maiores articuladores sociais da localidade e cobraram do governo estadual a garantia de moradia próximo ao mar, sua única fonte de sobrevivência. Segundo Vera Lúcia Marcelino Miranda, antiga moradora do Mucuripe e mantedora de um acervo histórico do bairro, a então primeira-dama do Estado, Luiza Távora, garantiu aos pescadores que iria “achatar o Morro e construir casas para todos os pescadores”.
A promessa foi cumprida, graças à organização da comunidade. “Mas, o governo começou a trazer pessoas das proximidades para o Morro” conta Vera. “Trouxeram todas as favelas do Mucuripe para cá e hoje o que menos tem é pescador”, afirma a guardiã do local. Vera tem razão, hoje, o Morro de Santa Terezinha é multifacetado. Uma mistura de cores e ofícios, de gerações e mundos diferentes. Mostrar essa diversidade é o objetivo dessa pesquisa.




